Acordar. Tomar
café da manha. Acordar as crianças. Levar para escola. Ir trabalhar. Produzir.
Produzir. Produzir. Almoçar. Pegar as crianças na escola. Voltar para o
trabalho. Produzir. Produzir. Produzir. Voltar para casa. Fazer o jantar. Estar
linda, carinhosa e sorridente para quando o marido chegar em casa. Por as
crianças para dormir. Tentar não dormir antes ou junto com as crianças. Dar
atenção ao marido. Fazer amor selvagem com o esposo. Não ficar doente. Não
sentir dor. Não ter TPM. Ver o lado bom das coisas. Não reclamar. Dormir.
Salvo algumas
alterações a rotina é quase sempre a mesma, já para quem se dedica
exclusivamente ao lar, o que implica em ter que ouvir, vez ou outra, um
comentário como: “nossa! Mas você não trabalha? Só fica em casa o dia inteiro.”
O que faz parecer que você é a feliz proprietária de uma casa auto-limpante e
dona de uma despensa auto-cozinhante.
O ritmo cada
vez mais rápido que nós acabamos adotando para realizar as multitarefas diárias
faz rotina tomar conta das nossa vidas a ponto de se tornar natural e quase invisível,
chega até a nos deixar consternados quando ela não esta presente, seja por
conta das férias, finais de semana,
feriados – para quem pode gozar dessas três dádivas – enfim, cada vez mais coisas
devem ser feitas e no menor tempo possível, sinceramente!? As vezes é muita
coisa para um corpinho só.
Tá! E onde entra
o perder-se? Na maioria das vezes ele não entra e esse é o problema, atualmente
ninguém pode se perder mais, não dá para passar um tempinho perdida nos próprios
pensamentos porque o relatório é para a amanhã, não dá para perder um tempo
maior no banho porque sempre tem gente esperando, se perder no transito então impossível
o preço do combustível não permite e você chegará atrasada naquele lugar super
importante que você deve ir sem atrasos, perder tempo então, jamais, eu nem tenho
tempo como posso perde-lo?
Perder tomou
uma forma tão negativa que chega a ser pejorativo dizer que perdeu alguma
coisa, desde que não seja perda por morte, perder não é tão ruim e pode ser até
o caminho mais importante. Me perdi varias vezes e encontrei coisas
maravilhosas que também estavam perdidas, perdida em meus pensamentos encontrei
em mim uma tranquilidade que eu não sabia que existia, mas estava lá esperando
ser encontrada. Na estrada então, me perdi tanto que até a conta perdi e foi
assim que cheguei em cidades que eu nem se quer tinha ouvido falar e que me surpreenderam
pela beleza e que provavelmente eu nunca conheceria de outra forma – sinceramente!?
Já me perdi até usando GPS – já me perdi dando o troco e descobrir que ainda
existem pessoas honestas o bastante para não tirar proveito. Mas é claro que também
já me perdi a ponto de perceber o que não merece um momento remember, já perdi
o freio e descobrir que nariz e asfalto quente não combinam. As situações não
podem receber uma única classificação: ou é bom ou é ruim, perder não é ruim
mas também não é apenas bom.
Não existe um único
caminho a ser seguido, seja para uma cidade, seja para algo mais subjetivo como
a realização profissional ou pessoal. Perder-se é uma forma de encontrar o que
não esta à mostra, talvez esteja perdido esperando que você também se perca. As
fabricantes de GPS que me perdoem mas perder-se é fundamental.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirFica a interna:
ResponderExcluir- Que tal Ruilândia, ou então quem sabe, "Uma tarde em Tabapuã"?
kkkkkkkkkkk nossa Uma tarde em Tabapuã é inesquecivel
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