sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Nasceu!


Nasceu! Depois de um ano de gestação a cria finalmente chegou. A página 43 está a cara da mamãe.



       
O texto "Perder-se" foi publicado nesta antologia, pág. 43 \o/ \o/ 


terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Saci-Pererê - versão 2014.

Era uma vez, no Brasil, um menino afrodescendente muito esperto e hiperativo. Ele usava um gorro vermelho que lhe dava poderes e protegia do sol quente evitando, assim, o câncer de pele. O Saci só tinha uma perna, por isso ele era um garoto especial que girava tão rápido formando redemoinhos que o fazia se mover como o vento, ele tinha um cachimbo que tomou emprestado de um idoso distraído, mas o Saci é menor de idade e não pode fumar porque o tabaco e a nicotina fazem mal para os pulmões causando câncer, sendo assim, o conselho tutelar tirou o Saci da guarda dos pais e hoje ele vive sozinho na floresta fumando um cachimbo de brinquedo que solta bolhas de sabão biodegradáveis.

                O Saci era muito brincalhão e gostava de assustar os animais da floresta e as pessoas que por lá caminhavam. Certa vez ele deu um nó no rabo do cavalo de um senhor que parou para beber água no riacho, assustando o animal que saiu em disparada deixando o pobre homem a pé, pela brincadeira o Saci foi processado por danos morais e materiais, pois o animal era o único bem do pobre senhor que teve de andar 10 quilômetros para chegar a sua casa, mas durante o julgamento o Saci foi inocentado por ter menos de 18 anos e não saber a diferença entre o certo e o errado, depois disso as pessoas começaram a dizer que todos os cavalos que apareciam com nó no rabo era por culpa do Saci.

                Para capturar o Saci era preciso prendê-lo numa rede e tirar seu gorro, pois sem ele o Saci perderia o poder de girar como redemoinho e assim poderia ser aprisionado numa garrafa  se tornando um servo para quem conseguisse tal feito, mas formado na faculdade da vida, o Saci, era muito esperto e espirituoso, por mais que as pessoas tentassem pega-lo, ele sempre fugia zombando de quem queria vê-lo aprisionado em uma garrafa.

                Certa vez, o Saci estava passando próximo a uma escola quando escutou as crianças cantando animadamente uma musica e decidiu parar para ouvir o que as deixavam tão felizes.  As crianças cantavam algo mais ou menos assim: “Saci Pererê um pretinho danado que pula, que salta com um pé aleijado, rodeia a fogueira e faz um barulhão, levanta um pé e tira a poeira do chão.” Revoltadíssimo  como o conteúdo da canção o Saci entrou com um processo contra o Estado por racismo e preconceito e outro por uso indevido de imagem. Depois de alguns meses, e vários recursos, o STF julgou o pedido do Saci procedente e sentenciou que o Estado indenizasse-o em 1 milhão de reais, proibindo também que a canção fosse cantada novamente até que fossem feitas alterações para que seu conteúdo não ofenda mais ninguém.


                A musica foi adaptada e hoje as crianças cantam sem entender muito bem do que se trata: “Figura Folclórica um afro-brasileiro hiperativo que pula, que salta com um pé portador de necessidades especiais, rodeia a fogueira e faz um barulhão, levanta um pé e tira a poeira do chão”.  Atualmente o Saci vive confortável na casa que comprou com parte da indenização e aproveita a renda gerada pelos investimentos feitos com a outra parte.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Diálogo de um domingo.

       No fim de uma tarde de domingo, as irmãs conversavam sobre os acontecimentos da semana, característica de todo domingo de sol ou de chuva. Desta vez o assunto era um acidente automobilístico ainda recente.

              - Vocês ficaram sabendo do acidente do Jorge?

              - Eu fiquei. Ouvi dizer que ele só morreu porque o equipamento de segurança não funcionou.

              - Qual? Ele tava sem cinto?

              - Não. O outro, aquele só tem em carro de rico, o “isberg”. 

              - “Isberg”? Mas “isberg” não é coisa de avião?

              - Não! “isberg” é de carro mesmo, o de avião é outro, chama “iceberg”.

              - Ah! É mesmo, mas que tragédia né!?

              - É sim, mas e o tomate, vocês viram? O preço esta pela hora da morte.

        O airbag muito fragilizado após ser elitizado e esquecido nunca mais foi visto, já o tomate passa bem.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Rápido, rasteiro e... sem graça.

  Algumas coisas precisam passar duas ou mais vezes na nossa frente para que possamos dar atenção, foi isso que aconteceu. Eu estava lendo uma historinha de princesa para minha priminha quando ela disse: “peraí que vou procurar uma menor”; concordei, estava com pressa e precisa voltar para casa. Outro dia, mexendo na rede social vi que alguém tinha curtido uma página sobre frases curtas, foi nesta hora que me dei conta de quão vazias as atitudes têm se tornado.


Atualmente tudo deve ser o mais rápido e eficaz possível. Todos querem impressionar com uma única foto em sépia, mostrar profundidade de pensamento com, apenas, uma frase de preferência menor que uma linha, ler a manchete e deduzir o conteúdo da matéria inteira. Hoje me perguntei o porquê, o estranho é que demorei a encontrar a resposta.

Assim, propus uma reflexão a mim mesma: será que as coisas assim tão curtas e rápidas funcionam? Conclui que inicialmente sim. Já me impressionei com lindas fotos e micro legendas, já deduzi que algumas pessoas seriam um poço de cultura só por ter lido uma de suas frases que facilmente caberiam em uma caixa de fósforos e ainda deixaria espaço para os palitos. Mas outra conclusão me ocorreu tão rapidamente quanto a primeira e essa perdurou: isso não basta.

A historinha de princesa foi contada em tempo recorde, talvez minha prima até se lembre dela quando crescer, mas qual era a cor do vestido da princesa? Ela tinha coroa? O sapatinho era bonito? Ela tinha um bichinho de estimação? O castelo era grande e cheio de torres? Tinha uma ponte para entrar e sair dele? Não sei, não couberam detalhes, os nuances se perderam. Situação idêntica acontece com as pessoas, àquelas frases impressionantes são esquecidas assim que outra aparece e toda aquela aparente inteligência dá lugar a algo que logo será esquecido (de novo) e o poço de cultura vira poça. As fotos lindas em preto e branco ou sépia que tentam te conquistar conquistam momentaneamente, mas a legenda não passa de uma cópia (resumida) das ideias de outro alguém e pessoalmente a imagem criada não se sustenta.

Tal superficialidade impregnou no nosso cotidiano, quase como uma doença assintomática está diariamente nas nossas vidas e nem nos damos conta. Os relacionamentos cada vez mais frágeis acabam ao primeiro sinal de conflito, muitos casamentos já não  completam bodas alguma, claro que ninguém precisa ficar com outra pessoa que não queira, mas vivemos a era de plástico onde ninguém tenta consertar o que quebrou, é muito mais fácil trocar logo de uma vez e partir para outra como numa linha de produção. “Você não me disse o que eu queria ouvir, vou descurtir você e procurar outra pessoa”, estamos ficando mecânicos, levemente insossos, quase como comida congelada estamos embalados em porções individuais. Para que comer no restaurante? Pedimos em casa daí eu como no sofá mexendo no celular e você na mesa usando o notebook, quem sabe conversamos no chat. É mais rápido e prático, mas também é mais sem graça, sem vida e sem criatividade.

Ler uma história curta, resumir uma ideia numa frase curta ou ter uma conversa curta serve para que? Passar mais tempo no trânsito? Dormir mais? Trabalhar mais? Viver menos! A expectativa de vida tem aumentado, mas a vida tem diminuído. Perder os detalhes de cada momento é perder a chance de viver mais, de se encher de sentimentos, de ter conteúdo. Conhecimento só vem com horas de boas leituras, conversas, cores e detalhes. 
















Alguém leu até o fim? ;)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Vida que segue.

Quem de nós nunca ouviu essa frase? Ela está fortemente associada à morte, seja daquele bichinho de estimação lá na infância ou de algum ente próximo, de fato nesta situação a vida para. Interrompemos o cotidiano por conta de uma situação inesperada que chega e congela tudo, paramos a vida para a última homenagem a alguém que nunca mais veremos sorrir, paramos porque o silêncio do velório pesa e o relógio anda mais lentamente, mas depois que todos os rituais fúnebres terminam e assentam o ultimo tijolo, depois que o cheiro de vela e de flores murchas sai do nariz e das roupas a vida segue, de inicio lentamente, mas segue. 
Depois da derrota do Brasil essa sentença se tornou o novo grito de guerra dos inconformados, a nova justificativa para esconder o amendoim colorido no fundo do armário e voltar à reclamar da política nacional, voltar à reclamar de qualquer coisa que mereça, ou não, uma ruga na testa.
Os reacionários da banda larga, que pretendem mudar o mundo no ar condicionado enquanto curtem a nova foto do Caio Castro no Instagram, acharam os sete motivos perfeitos para criticar, só agora, a Copa do Mundo: “gastaram bilhões e nem ganhamos essa porcaria de campeonato consumista feito para essa massa alienada, que só serve pra fazer a felicidade desses pobres ignorantes” (e podre vai em estádio?, pobre paga R$ 10,00 numa pipoca?), “não temos educação”, “não temos saúde”, “não temos estradas”, “nossos políticos são nojentos”, “somos um dos países mais violentos”, “temos estádios modernos e hospitais sucateados”... Em planeta nenhum o Brasil ganhar a sexta estrela é justificativa suficiente para os bilhões dispensados para este “espetáculo”. O sumidouro de dinheiro publico foi criado assim que o Brasil foi escolhido para sediar esse evento e bordar, ou não, mais uma estrela verde num tecido amarelo não muda nada.
Dizer que a vida segue após a derrota da Seleção Brasileira é, no mínimo, um equivoco. Vida que segue? Mas quando foi que ela parou? A Copa do Mundo não chegou de surpresa interrompendo o seguimento natural de nossas vidas, ela tinha hora marcada pra começar e tem hora para acabar. Estão atribuindo um valor muito maior do que a situação merece, um jogo implica em derrota ou vitória não em morte ou vida, se alguém perdeu alguma coisa foram os jogadores, já que não receberam seu valioso prêmio em dinheiro pela vitória, quanto a nós já estamos perdendo há anos com nossa mórbida passividade, este titulo nada mudaria, não vou chorar pela morte de quem ainda vive.

Em 2014 está derrota é muito mais importante porque dá espaço para que se perceba que o verdadeiro jogo começa em outubro e nesse campeonato sim é vida ou morte. A Eleição Presidencial implica muito mais em conquistas e derrotas do que um jogo de bola, muita gente vai morrer se hospitais não forem construídos, muita coisa vai deixar de acontecer se a educação não for o foco deste país. Não adianta dizer que não fizeram investimentos em educação e saúde porque gastaram tudo em estádios, mentira! Não investiriam em escolas ou hospitais porque não investiriam mesmo. Acredite é em 2015 que descobriremos se vamos passar mais quatro anos num velório recorrente ou se é vida que segue.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Manual prático do interior

Com a chegada da Copa do Mundo as embaixadas de alguns países vêm publicando alguns manuais sobre o Brasil, acho até interessante talvez até o Itamaraty devesse criar um manual do Brasil só para brasileiros para explicar algumas coisinhas que nem nós entendemos sobre nós mesmos,  enfim. Já que a grande maioria dos municípios brasileiros não sentirá nem o cheiro dos visitantes gringos, comprei a ideia de fazer um manual prático do interior para traduzir certas coisas que só acontecem no aqui no miolo do estado de São Paulo (em outros estados também se aplica, basta mudar o sotaque e eventuais características culturais regionais e pronto)e também para inserir o interior nesse grande evento. Às vezes o que você diz não é o que muitos entendem, não é por maldade é costume, por isso não se assuste com determinadas reações, com o tempo você se acostuma e começa a achar até meigo, principalmente se for por pouco tempo. Farei em tabela para a consulta ficar mais rápida. Lá vai:

O QUE VOCÊ DIZ
O QUE ELES ENTENDEM
Não gosto de rodeio.
Matei minha mãe e enterrei no quintal.
Não gosto de música sertaneja.
Só ouço música de culto ao demônio.
Tião Carreiro?
Sou um alienígena, cheguei hoje ao planeta, leve-me a seu mestre.
Sou vegetariano.
Alface, tomate, alface, alface, alface.
Porque eu tenho que cumprimentar todas as pessoas na rua, mesmo que eu não conheça a maioria?
Vivi em uma ilha até ontem, não sei me comportar em sociedade.
Nunca votei na Dilma.
Sou marajá, odeio pobre, morte aos pobres.
Vi no canal de noticias que...
Blá, blá, blá, bláááá.
Sou espírita.
Você será possuído em 3,2,1...
Não tenho uma caminhonete.  
Adoro pôneis, pôneis benditos, pôneis, pôneis.
Usina?
Oxigênio?
Surcação?
Vida?
Mudança de turno?
Viver intensamente?
Vinhaça?
Elixir dos deuses?
Só não bebo cerveja
Não faço ingestão de líquidos.
Acho que nunca comi arroz carreteiro
Vivo de luz.
Eu ligo a seta para fazer curvas.
Sou metido a inteligente.
Uso o cinto de segurança.
Não sei viver com emoção.
Qual a diferença entre Nelore e Girolando?
Qual a diferença entre penico e bule?
Calça muito apertada me incomoda.
Ando pelado.
A cidade só tem uma entrada/saída?
Não sei de nada, inocente.


Agora você já esta pronto para uma temporada no interior, se te olharem estranho quando disser uma das frases acima você já sabe o porquê. Pode pegar sua bota, a fivela, o chapéu, monte no seu cavalo e grite aiaiaiiiiiiiiiiii, é bom ler um pouco sobre fabricação de álcool e açúcar, saber uma ou duas coisinhas sobre gado, ensaiar uma ou duas músicas do Fernando & Sorocaba e pronto, feliz interior para você.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A orgia dos planetas

     Nunca fui ligada aos astros, não acredito que enquanto a lua sorri para um ou dois planetas vizinhos meu dia mude muita coisa, mas curiosa como eu sempre fui não pude deixar de fazer o teste, passei uma semana copiando meu horóscopo na internet, os cinco dias estão no final do texto. O resultado é esse:

    Na segunda-feira a lua estava toda assanhada para cima do sol e de netuno o que, aparentemente, indicava que era um momento criativo para mim e hora de me ligar as artes. Como não sei pintar, desenhar, esculpir ou tocar qualquer instrumento que seja pensei em podar a árvore em frente de casa no formato do Mickey, mas como o horóscopo também indicava que eu poderia ir ao cinema decidi ponderar a possibilidade de andar 120 km (ida e volta) até o cinema mais próximo e curtir um filminho, mudei de ideia novamente depois de descobrir que minha carteira de estudante estava vencida, optei por ficar em casa e ver um filme no DVD mesmo (coisa que faço quase todo dia, como ou sem horóscopo) . 

    Acordei com medo na terça-feira, não fiz do que meu signo propôs para o dia anterior e fiquei com receio de ter provocado a ira dos astros, nunca se sabe, porém Vênus e Saturno estavam em harmonia na terça-feira (ufa!) mas toda aquela criatividade da segundona deveria ser jogada no lixo e substituída por um comodismo avassalador, onde eu deveria me ater apenas ao que já conheço e fechar o que foi iniciado na ultima lua nova, a questão aqui é: quando foi a ultima lua nova? Se eu estiver em uma semana de lua nova conta essa que eu estou, que afinal é a ultima, ou vale a anterior que é a ultima antes da atual? Fiquei confusa. Como eu posso não lidar com coisas novas se um dia antes eu deveria ser criativa e isso implica em navegar numa serie de novidades e coisas desconhecidas, confusa de novo. Na duvida resolvi obedecer e me ater ao que conheço e lá fui eu assistir um filme na TV. 

    Na quarta-feira fiquei mais animada, afinal eu obedeci piamente o que Vênus e Saturno haviam indicado e isso deveria dar bons resultados, só que, aparentemente, minha obediência cansou Vênus que teve de receber uma forcinha de Saturno. Sinceramente!? Para quem é o planeta do amor Vênus anda muito fraquinho, mal se passaram três dias e ele já estava precisando de força (dei canseira em Vênus, rá, quem diria!?). Já que as palavras-chave do dia eram “persuasão e objetividade” coloquei o meu melhor sorriso e fui tentar descobrir quando eu receberia o reajuste salarial, obtive a mesma resposta do mês anterior: “mês que vem”. Caramba quarta-feira esta achando que é terça-feira e me deu algo que eu já conhecia, mancada Vênus, mancada. 

    Quinta-feira chegou e notei que Vênus deu espaço para a Lua e Mercúrio o que indicava uma boa hora para expandir minha rede de contatos, adicionei quatro pessoas no Facebook e até hoje ninguém aceitou o convite, tentei pessoalmente também mas acho que não fiz uma boa escolha, depois de dez minutos desisti do papo chato e me despedi da conversa. Um planeta com nome de remédio não serve de conselheiro. 

    Enfim a sexta-feira, ultimo dia da semana, ultimo dia de leitura do horóscopo. Entendi o recado “boa samaritana” que a Lua em Câncer me mandou, era o momento de ajudar sem pedir nada em troca, tentei mas é muito difícil não esperar um “obrigado” e nem sempre ele vem. 

     Resumindo: enquanto os astros vivem uma orgia interplanetária a vida segue normalmente aqui em baixo. Uma relação onde uma pessoa entrega dinheiro para que outra escreva subjetividades sobre a influência dos plantas na sua vida, ou de qualquer outra pessoa, não deve ser lá muito auspicioso. Vou manter apenas o sorriso, do resto faço questão de esquecer.
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Segunda-feira
Dê asas à imaginação, suas inspirações e criações tem mais chance de se concretizarem. Mais determinação e abertura para conquistas. Os contatos profissionais ficam favorecidos. Enquanto isso, a Lua sorri para o Sol e Netuno. Depois de fazer o trabalho render, você pode completar o dia com um cinema ou uma atividade ligada às artes.

Terça-feira
Não é um bom momento para lidar com novidades ou se meter em águas inexploradas. Prefira trabalhar com assuntos que já domina. Atenha-se a quem ou ao que já conhece. É tempo de dar fechamento ao que foi iniciado na Lua nova. Vênus e Saturno seguem em harmonia, você está mais perseverante e determinado, consciente de seus deveres e responsabilidades.

Quarta-feira
É tempo de dialogar para chegar a acordos, estabelecer e reafirmar comprometimentos e afinar propósitos. Vênus recebe a força de Saturno: persuasão e objetividade são palavras-chave. Eis o momento ideal para concluir negociações, fortalecer parcerias e alianças. Com charme, diplomacia, boa conversa e um belo sorriso no rosto não há nada que não se possa conseguir.

Quinta-feira
Bom momento para expandir sua rede de contatos. Não fique sozinho e isolado, bons contatos podem trazer boas oportunidades, você pode ser apresentado a alguém interessante. Hoje Lua e Mercúrio se harmonizam para favorecer os intercâmbios e as negociações. Lembre-se também de cultivar confiança com pensamentos, mantras e afirmações positivas.

Sexta-feira
Sua praticidade pode ser necessária e útil. Seja solícito, ofereça colaboração, redobre a atenção e pegue leve nas críticas com os mais aéreos. A Lua segue em Câncer, favorecendo as atitudes de proteção e o clima de intimidade. Não é o momento para forçar situações, fazer cobranças e muito menos se envolver em conflitos.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um amor em Paris

       Noite de chuva e frio pede certos protocolos, um deles é ver um filminho aninhada no sofá, e claro eu não sou a exceção, estava assistindo uma comedia romântica daquelas água com açúcar e fui aturdida por uma frase no mínimo interessante, a protagonista era uma escritora em crise que desejava que seu ultimo livro terminasse em Paris pois "as pessoas precisam de romance", bang.

         Para ser romântico tem que ser só em Paris? Duvido. Imagine comigo a cena: semiárido nordestino, um casal se encontra, ao se verem correm um ao encontro do outro e se beijam, ao fundo quatro cabritas magras andam cambaleantes sem destino, no céu vários urubus voam rodeando a carcaça magra de uma vaca morta pela seca que jaz estendida no chão rachado pela falta constante de água, o vendo sopra balançando os galhos secos de árvores quase mortas, depois do longo beijo cinematográfico as almas gêmeas entram em um casebre de pau a pique fechando a porta feita de madeira reaproveitada de caixotes. Viu só que lindo, romance puro. É claro que uma paixão em Paris é muito mais glamourosa mas onde fica o tal conceito famosíssimo do "não quero dinheiro, eu só quero amar"? Não fica, ele some, assim que uma das partes percebe que amar em Paris é mais fácil. "Vidas Secas" não ficou conhecido por ser uma historia de amor, apesar dele estar lá, mas o que marcou foi a historia de sofrimento de uma família mais comum do que imaginamos. Nós não queremos só amar, queremos toda a compilação de situações confortáveis e de preferência na Europa. É ai que a coisa toma outra proporção e a maioria se frustra.

      Esperar que todo parceiro seja capaz de te levar para ver o nascer do sol de uma planador, ir até a fronteira de dois estados só para que você possa estar em dois lugares ao mesmo tempo ou ainda escrever cartas antes de morrer e pedir para que alguém entregue-as a você em lugares marcantes para os dois é esperar que o mundo seja um grande roteiro nonsense. Nos filmes ninguém passa horas fazendo o orçamento, nenhum dialogo é interrompido por uma dor de barriga, ninguém pisa no rabo do cachorro, as crianças dormem a noite toda e todos têm carro e tempo de sobra. Errado estão os filmes? Não, filme é uma obra de ficção, não precisa ser real, o que retrata a realidade leva o nome de documentário.

          Às vezes os homens perguntam o que as mulheres pensam e a resposta é: elas pensam que você é um roteirista de sucesso e vai fazer da vida delas um grade Oscar de roteiro original, com direito a explosões e vocês dois saindo da labareda intactos, simples né!? Não que seja proibido sonhar, mas frustrasse é que não é recomendado. Vejo mais romance em um casal de idosos que ainda andam de mãos dadas depois de trinta anos de casados do que em um casal de adolescentes que fazem uma tatuagem igual, ainda que fazer uma tatuagem seja muito mais doloroso do que andar de mãos dadas. O romance esta nos detalhes pelo caminho não no fim da estrada.

          Se Paris fosse a guardiã exclusiva do romance e da felicidade a França seria o país mais feliz e populoso do mundo, já nós pobres habitantes do resto do planeta não teríamos um pingo de amor e também não teríamos a Torre Eiffel para podermos pular dela. A única coisa que Paris faz com exclusividade é parisienses de resto em todo canto existe um romance seja na Europa ou no semiárido.