Recentemente remexendo minhas
gavetas a procura de coisas que eu já nem lembro o que eram, encontrei um CD sem
nada escrito, curiosa, liguei o aparelho de som e para minha feliz surpresa
começou a tocar Natasha foi o nosso reencontro e depois de mais de dez anos, comecei
a pensar em como andava a vida da personagem que um dia foi minha ídola, mas
que hoje não faz mas tanto sentido assim.
Em 2001 ela aos
dezessete anos fugiu de casa, levou na bolsa umas mentiras pra contar, deixou
pra trás os pais e o namorado. Eu, então com quatorze anos, achava ela o máximo
com sua carteira falsa com idade adulterada, cabelo verde, tatuagem no pescoço
e saia de borracha. A ideia de um outro dia, outro lugar sempre fez – e olhando
bem, ainda faz – minha cabeça o que nunca me agradou foi o sem amanhã por diversão roubava
carros.
Fiquei
imaginando que o rosto novo todo feito pro pecado já não é mais o mesmo depois
de tantos paraísos num comprimido e balacos ilegais ou proibidos, os cabelos
verdes que na minha adolescência eu imagina ser lindo e sedoso, como os que eu
queria ter, hoje já devem estar ressecados e quebrados, nada atraentes. A saia
de borracha também não deve ser mais a mesma, depois de alguns filhos que ela provavelmente
teve com um “alguém” que ela deixou dormindo desaparecendo antes que ele acordasse.
Mas também não é só de tragédia que se vive,
quem sabe se ao longo do caminho ela não encontrou motivos para voltar a ser a
Ana Paula de sempre? Talvez tenha voltado para casa, talvez tenha se casado,
talvez tenha se tornado pastora evangélica e hoje viva pregando sobre a vida em
pecado que levou. Quiçá hoje trabalhe em um banco e a única mentira que conte
seja um simples “nosso sistema esta fora do ar” só para poder continuar lixando
as unhas. Ninguém sabe e nunca vai saber.
A seu favor
Natasha tem a eternidade, por habitar uma música de sucesso jamais vai
envelhecer ou morrer de overdose, como ponto contra ela nunca deixará de roubar
carros e jamais se vestirá com uma saia da moda. A nosso favor – meu, dela e de
quem adora essa música – temos em comum que enquanto estivermos ouvindo os
pneus de carros cantando o mundo pode acabar e nós só vamos querer dançar,
dançar, dançar.