sexta-feira, 26 de abril de 2013

10 coisas que aprendi com as crianças



1. Quando você diz: “não pise no banco do carro”, elas entendem: “sapateie no banco do carro, meu anjo”.

2. Não importa o quanto elas digam que estão com fome, quando abrirem o McLanche Feliz e pegarem o brinquedo, a fome passará instantaneamente.

3. Elas conhecem as técnicas mais curiosas para acordar os adultos.

4. Você aprenderá a fingir que esta dormindo só para que ela te acorde.

5. Nunca deixe uma criança assistindo os comerciais dos programas infantis.

6. Para fazer um desenho, nenhuma folha de papel é mais atraente do que suas pernas, braços e barriga.

7. O primeiro dia de aula é sempre mais traumático para você.

8. Você só vai aprender o significado da sentença “se acalme” quando elas se aconchegarem, silenciosamente, no seu colo quando você estiver distraída.

9. Quando estivem sentadas nos seus ombros elas sempre dirão: “aqui é muito alto”, mesmo que você só tenha um metro e meio, ao passo que você responderá: “tire a mão dos meus olhos, não vou te deixar cair”.

10. Elas detectam tristeza como um radar, é nessas horas que elas dizem:  “vem brincar comigo, eu deixo você ganhar dessa vez”.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Interiorrrrrrrrrrr II


Já escrevi sobre o interior uma vez, mas quem mora em cidade pequena, como eu, sabe que as situações vividas por nós ao sairmos do interior são praticamente infinitas e hilárias – uns dez minutos depois, ou menos,  do ocorrido vira motivo de  riso pelo resto da vida –  não é que não saibamos nos comportar ou qualquer coisa do gênero, mas tenho a teoria de que nossa presença desequilibra o psicológico de quem se considera um ser metropolitano, porque só isso explica a mudança de comportamento deles assim que descobrem que vivemos no interior.
Para exemplificar minha teoria, segue o que me aconteceu uma vez: enquanto conversava com um grupo de amigos na “cidade grande” me lembrei que precisava de dinheiro, como não morava no local pedi que me indicassem onde ficava o caixa eletrônico mais próximo. Coisa simples não é? Seria, caso não fosse, eu, uma moradora de cidade pequena. A resposta que eu esperava era uma indicação de onde ficava o caixa, mas o que eu recebi foi muito mais profundo, uma amiga começou a me explicar que para usar o caixa eletrônico eu precisava do cartão e da senha e que eu deveria fazer a operação o mais rápido possível porque era muito perigoso. Acho que a cara de inconformada que eu fazia – penso que talvez eu tenha começado a babar –  enquanto ouvia as explicações comovia cada vez mais a criatura que insistia em me explicar sobre o funcionamento do caixa, cada vez com mais detalhes, chegando até a me dizer que eu não poderia dar a minha senha para ninguém.
Ok, entendo a boa intenção, mas caipira vive em cidade pequena, não na lua. Tudo bem que para falar a frase “a porrrrta do corrrrrsa é verrrrrde” nós levamos mais tempo do que alguém que a diz com apenas um “r” em cada palavra, mas o nosso excesso de erres não implica numa menor quantidade de neurônios. Uma vez ouvi dizer que os gagos não gostam que completem a frase que eles estão falando, portanto segue a dica: trate um caipira como um gago, não ensine o que ele não esta te perguntando.
Mais recentemente fui à uma reunião regional – atente para a palavra regional – do local onde trabalho, talvez seja interessante dizer que eu trabalho numa Junta Militar, sendo assim havia muitos militares na reunião. Depois de duas horas ouvindo o palestrante falar, falar e falar, tivemos uma pequena pausa que eu aproveitei para andar pelo salão na tentativa de reencontrar a sensibilidade na minha bunda, que naquela altura do campeonato já estava dormente. Pelo caminho encontrei uma senhora que me abordou e perguntou de onde eu era, quando respondi pensei que a mulher fosse ter um ataque do coração, ela arregalou os olhos e perguntou:

- Palestina!? Meu Deus, que é isso?

Sim, ela disse “que é isso” e não “onde é isso” imagino que ela deve ter pensado que eu iria acionar uma bomba ou sair correndo pelada e gritando “libertem a Palestina em nome de Allah”, sei lá, tudo é possível numa mente desesperada como a dela aparentou ter ficado quando ouviu o nome Palestina. Confesso que dessa vez não consegui segurar o riso, mas disse à ela que era uma cidade na região e depois de praticamente passar as coordenadas geográficas e assegura-la de que se tratava de uma cidade no Brasil, voltei ao meu lugar para mais uma hora de palestra com a bunda ainda dormente, mas com o bom humor fresquinho. Posso afirmar que não me lembro de quase nada da ultima hora da palestra, já que fiquei rindo sozinha ao imaginar tudo o que deve ter passado pela cabeça daquela senhora, será que ela imaginou que eu fosse uma espiã infiltrada no exercito brasileiro? Será que eu queria sequestrar algum Coronel em nome da "causa palestina"? Não sei, mas cada vez tenho mais certeza de que a gente sai do interior, mas o interior não sai da gente – e como isso é bom!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Collor e o Facebook

Não, isto aqui não se trata de um tutorial sobre como trocar a cor do Facebook. Mas creio que o assunto não deixe de ser um vírus, assim como a promessa de troca da cor da rede social. Com o advento do nosso mais novo amiguinho de infância o “Face”, todos nós – me incluo nessa também, afinal, divulgo o que escrevo no Facebook – passamos a ter mais visibilidade, eu diria, não só da nossa vida mas também do importante que tudo: a vida do outro. Quem tinha algo a dizer mas não sabia onde ou como, encontrou no Face o lugar perfeito para expor suas ideias, já quem não tinha muito a dizer também. Essa ferramenta virtual incutiu em seus usuários um certo vírus do  “pseudo-ativismo”.
            Atualmente vemos uma enxurrada de postagens sobre Feliciano, que veio a afogar a anterior enxurrada Renan Calheiros. O que elas tem em comum? O vírus do pseudo-ativismo. Ele vem contaminando a todos sem distinção de raça, cor, credo ou gênero. Hoje todos amam os animais e a natureza, protegem as crianças e as mulheres, fazem valer seus direitos de cidadão e lutam pela igualdade em todo os seus sentidos, todos se transformaram em ativistas das quatro paredes, defendem o que acreditam e acreditam no que defendem com todas as forças, mas só quando estão conectados ao Facebook e à falsa proteção que acreditam ter na internet.
            Dar a fotografia, que nem precisa ser verdadeira, à tapa é muito mais fácil do que dar a cara, propriamente dita, à tapa ao defender um ponto de vista e uma posição política, por isso é tão cômodo se deixar tomar pelo vírus do pseudo-ativismo. Em 1992 os caras-pintadas foram os protagonistas de um marco da historia não só do Brasil mas de toda a America Latina, foram aquelas pessoas que saíram às ruas com os rostos pintados e defendendo o que acreditavam ser certo, que pressionaram o governo pelo Impeachment do então presidente Fernando Collor. Mas o que isso tem a ver com o Facebook e o pseudo-ativismo? A resposta é: Tudo. Collor deu um azar sem fim em não ter, naquela época, o Facebook como aliado, neste caso os caras-pintadas não teriam existido e nós teríamos ficado em casa sentados na frente do computador, postando frases de efeito e aguardando, pacientemente, que ele se comovesse e renunciasse à presidência. Assim ele teria cumprido os quatro anos de mandato sem maiores problemas, quiçá seria reeleito. O máximo que nós faríamos, se em 1992 existisse o Facebook seria, talvez, trocar a foto de perfil por uma imagem da bandeira do Brasil e nada mais, seria o vírus do pseudo-ativismo agindo e nos fazendo pensar que éramos cidadãos conscientes.
            Para a sorte dos políticos é que tanto no mundo virtual quanto no mundo real nós temos memória curta e o Collor segue com sua vida política praticamente inabalada, sendo senador por Alagoas, já para o Feliciano é só questão de tempo para que outro movimento virtual surja e ele seja esquecido assim como Renan Calheiros foi.
            Para a sorte dos caras-pintadas o pseudo-ativismo é doença novinha, o mal do século XXI, graças a isso eles entraram para a historia e têm historia para contar. Quanto a nós que já fomos infectados pelo pseudo-ativismo, bem, acho que nosso fim será deprimente, estamos condenados a marcar marchas pela cidadania – fora do mundo virtual, sabe, aquelas onde as pessoas se reúnem e fazem barulho de verdade, dizem do que pensam e se mostram, lembra o que é isso? Mundo real? – que contarão com alguns poucos gatos pingados, praticamente sem força alguma. A cura para essa doença todos nós conhecemos, mas o problema é que fora das quatro paredes, lá no mundo não virtual, onde a vida acontece, não tem ar condicionado e não dá para baixar um filminho ao mesmo tempo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Hashtag


#Fotonabalada, #emfamília, #comosamigos, #segurandocrianças. #Todasaslegendas #defotos #propositalmente #posadaspara o #Facebook, #Twitter ou #Instagram  #vemcom uma #hashtag, #muitasvezes uma #hashtagdemetro, #quaseininteligível que #levamosmais #tempotentando #traduzi-la #doque #visualizandoafotografia.

            Atualmente até o “bom dia” esta ficando piegas e demasiadamente longo. É um tal de  #migas, #morzinho, #BFF, #prontofalei, #amomiguxas, #amoreterno, #forevererverever, #semvcsnaosouniguem, #aiquebaladaboa, #tenhosentimentos, #seiusarosfiltrosdoinstagram, #malusinha, #piriguetetete, #boatedamoda, #usoroupademarca, #bebovodkacara, #vivodemesada, #reproveiemportugues, #maspasseiemeducacaofisica, #queroserfamosananet, #escrevoerradosemperceber, #masfinjoqfoidepropositopqnanetpode, e finalmente vem o “bom dia” seguido de uma foto de paisagem com o filtro sépia.

            Depois que fotografia perdeu o caráter de ser um objeto para eternizar bons momentos e virou forma de mostrar status as pessoas ficaram mais vazias, consequentemente as atitudes também se esvaziaram. Não é porque você esta comendo num restaurante da moda que precisa fotografar o prato e postar na internet, vai por mim, tem revistas de culinária que fazem isso e o fazem muito bem, melhor que seu celular de ultima geração cheios de filtros bacaninhas. Não é porque você sabe usar todos os filtros do Instagram que sua fotografia virou objeto de arte - #ficaadica - ela apenas ficou igual a todas as outras fotos que milhares de pessoas tiram usando o mesmo aplicativo ou outro semelhante.

            Todos nós sabemos que tirar um mês de férias é o orgasmos para quem trabalha outros onze meses consecutivos, portanto, ninguém precisa interromper suas tão esperadas férias para postar no Facebook o quanto ela esta sendo deliciosa, se esta tão boa assim aproveite-a, seus amigos não ficaram magoados se você contar tudo o que aconteceu quando voltar para casa e não enquanto estiver acontecendo.

            Ser “curtido”, na minha adolescência, era receber um convite pessoalmente e feito a mão pelo dono da festa, ter um caderno de “enquete” cheio de assinaturas ou ter uma foto revelada e colada na parede do quarto de algum amigo – veja só a palavra “quarto”, um lugar onde só algumas pessoas veriam a fotografia. Isso era feito porque as pessoas sentiam vontade de ter você por perto e não porque queriam mostrar ao mundo como são descoladas.

            É claro que a internet tem seu mérito, isso é inquestionável, ela aproxima as pessoas que pelo fluir natural da vida acabaram se distanciando e em outros tempos talvez não se encontrassem mais, sem contar o acesso à informação e todas as outras grandes mudanças que ela nos proporcionou, nada é só bom ou só ruim. Nós só não podemos esquecer o quanto é bom receber algo escrito a mão, seja um bilhete ou uma carta, fazer um elogio cara a cara é ainda mais saboroso do que curtir um post qualquer. Não existe hashtag alguma que substitua a sensação de olhar diretamente nos olhos de alguém.
               #prontofaleificaadicarecalcadaavidaémelhorforadocomputadoreescreverassimnãotefazmaisdescoladasómaisumachataduvidoquealguémconsigaentendertudooquetaescritoaquisemperderofolegoouapacienciaviusócomoissoéchato.            

terça-feira, 2 de abril de 2013

Culote

             Se fosse bom não começava com a silaba que começa. Acho que essa frase já resume bem o sentimento que todas temos quando ouvimos essa famigerada palavra, que causa mais estragos no psicológico do que um: “só parcelamos em três vezes”. É do culote a culpa por aquele vestido lindo que a sua vizinha usa, parecer uma capa de galão de vinte litros de água em você, sem contar aquele short maravilhoso que estava no manequim da loja, que ao ser abotoado no provador faz nascer em você a clara sensação de que você se metamorfoseou em uma pamonha que esta sendo amarrada, fortemente, ao meio.

         E não é que em 2013 os astros se uniram numa conspiração interplanetária pela proliferação dos culotes, e o dia da mentira caiu bem na segunda feira pós páscoa. Agora o tal “começo o regime na segunda” perdeu todo o potencial consolador para se tornar uma mentira reconhecida mundialmente, adeus equilíbrio psicológico.

         Mas o que fazer para não ter culotes? A primeira resposta que vem a mente é a mais obvia de todas: não coma. Ok, mas a pergunta não foi: o que Mahatma Gandhi faria? E sim: o que eu, simples mortal, faria para resistir ao aroma oriundo da cozinha que esta possuindo meu ser neste exato momento? A resposta é ainda mais obvia: incorpora o senegalês e corre filha, corre como se não houvesse amanhã. Mentira! A resposta é: nada. Isso, não faça nada, simplesmente coma sem medo nem vergonha e seja feliz, caia de boca na carne assada, coma a salada de macarrão sem peso na consciência – afinal é salada, né!? Todos dizem que salada ta liberado – pode jogar molho de alho na mandioca e comer sem crise, desde que tudo seja acompanhado por um copo de suco de laranja, mas o suco é uma questão de saúde não de estética, é claro – ou não – pode abraçar o ovo de páscoa e chamar de meu amor, sem problemas.

         Tudo bem que na páscoa todo culote vira praticamente um “cundomínio” mas feriado prolongado, agora,  só em maio mesmo e até lá você já trabalhou a semana toda mais de oito horas por dia, já cuidou das crianças, cuidou da casa, cuidou do marido – se não tiver marido, cuidou de tentar arrumar um – cuidou de manter contato com os amigos, cuidou da contabilidade, comprou sapatos, fez as unhas, o cabelo, comprou o batom com o 58º tom de rosa que você ainda não tinha, fez um assado inesquecível –  que esqueceu de tirar do forno – já teve TPM, crise existencial e passou por tudo isso sem matar ninguém e em cima do salto alto, mulher é maratonista e nem se dá conta disso.

          Um culotezinho aqui ou outro ali – ali na vizinha, de preferência – não faz muita diferença, afinal o projeto verão já acabou mesmo e ainda temos mais três estações até que ele comece outra vez, sem contar que mulher não para quieta então o MST nunca vai poder nos acusar de termos terras improdutivas nos nossos “cundomínios”.