terça-feira, 2 de abril de 2013

Culote

             Se fosse bom não começava com a silaba que começa. Acho que essa frase já resume bem o sentimento que todas temos quando ouvimos essa famigerada palavra, que causa mais estragos no psicológico do que um: “só parcelamos em três vezes”. É do culote a culpa por aquele vestido lindo que a sua vizinha usa, parecer uma capa de galão de vinte litros de água em você, sem contar aquele short maravilhoso que estava no manequim da loja, que ao ser abotoado no provador faz nascer em você a clara sensação de que você se metamorfoseou em uma pamonha que esta sendo amarrada, fortemente, ao meio.

         E não é que em 2013 os astros se uniram numa conspiração interplanetária pela proliferação dos culotes, e o dia da mentira caiu bem na segunda feira pós páscoa. Agora o tal “começo o regime na segunda” perdeu todo o potencial consolador para se tornar uma mentira reconhecida mundialmente, adeus equilíbrio psicológico.

         Mas o que fazer para não ter culotes? A primeira resposta que vem a mente é a mais obvia de todas: não coma. Ok, mas a pergunta não foi: o que Mahatma Gandhi faria? E sim: o que eu, simples mortal, faria para resistir ao aroma oriundo da cozinha que esta possuindo meu ser neste exato momento? A resposta é ainda mais obvia: incorpora o senegalês e corre filha, corre como se não houvesse amanhã. Mentira! A resposta é: nada. Isso, não faça nada, simplesmente coma sem medo nem vergonha e seja feliz, caia de boca na carne assada, coma a salada de macarrão sem peso na consciência – afinal é salada, né!? Todos dizem que salada ta liberado – pode jogar molho de alho na mandioca e comer sem crise, desde que tudo seja acompanhado por um copo de suco de laranja, mas o suco é uma questão de saúde não de estética, é claro – ou não – pode abraçar o ovo de páscoa e chamar de meu amor, sem problemas.

         Tudo bem que na páscoa todo culote vira praticamente um “cundomínio” mas feriado prolongado, agora,  só em maio mesmo e até lá você já trabalhou a semana toda mais de oito horas por dia, já cuidou das crianças, cuidou da casa, cuidou do marido – se não tiver marido, cuidou de tentar arrumar um – cuidou de manter contato com os amigos, cuidou da contabilidade, comprou sapatos, fez as unhas, o cabelo, comprou o batom com o 58º tom de rosa que você ainda não tinha, fez um assado inesquecível –  que esqueceu de tirar do forno – já teve TPM, crise existencial e passou por tudo isso sem matar ninguém e em cima do salto alto, mulher é maratonista e nem se dá conta disso.

          Um culotezinho aqui ou outro ali – ali na vizinha, de preferência – não faz muita diferença, afinal o projeto verão já acabou mesmo e ainda temos mais três estações até que ele comece outra vez, sem contar que mulher não para quieta então o MST nunca vai poder nos acusar de termos terras improdutivas nos nossos “cundomínios”.

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