quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O advogado do diabo

    Talvez o termo correto seja “A advogadA do diabo” afinal hoje esse papel será representado por mim. Em tempos de manifestações é até perigoso contrariar os que acreditam que estão contrariando o sistema, mas o farei mesmo assim. Não sou contra, nem nunca serei contra as pessoas que lutam pelo seus direitos e tentam mudar essa realidade tão desagradável que vivemos, mas a culpa é mesmo sempre do “sistema”?

    A educação no Brasil é sim bastante deficiente, concordo que deveríamos ter um sistema educacional aos moldes do Europeu ou de qualquer outro de maior qualidade que o nosso, mas proponho uma pergunta: e nossos alunos, eles são alunos com selo Europeu de qualidade? Não é porque o sistema educacional é inferior que os alunos também devam ser, quem quer aprender aprende até com livro encontrado no lixo, aprende na marra, aprende sofrendo, mas aprende. Um sistema educacional ruim não justifica as agressões sofridas por professores em sala de aula, a falta de incentivo para a carreira de professor, falta de estrutura para as escolas, essas sim, são culpa do sistema educacional. 

    O Brasil é um país cheio de problemas estruturais e culturais também. É comum vermos cidadãos reclamando da falta de remédios na rede publica, e com razão, sabemos da peregrinação necessária para se conseguir remédios de uso continuo e até mesmo remédios para uma simples dor muscular, é revoltante, é motivo para indignação sim! Mas é igualmente revoltante ver que quando se encontra remédios nos postos de saúde esses mesmos cidadão que esbravejavam a falta do medicamento saem com sua cartelinha na mão, tomam dois comprimidos e deixam o restante estragar em alguma gaveta em casa. 

    Inundações, ruas que se transformam em rios após cinco minutos de chuva que nem precisa ser assim tão forte, também revoltam, mas aparentemente jogar lixo na rua não revolta tanto. Daí vem a frase: “ aaaah mas se eu não jogar lixo na rua o gari perde o emprego”, ok! Então morre, idiota, para dar emprego para o coveiro – e não é só para o coveiro, tem o cara do mármore, a moça que faz o arranjo de flores, a senhora que limpa os túmulos e por ai vai – Ai a coisa muda de figura, né!? É claro que muda.

    O quadro muda de figura também dependendo do sobrenome da “vitima”, se for um Segall que cai na rua por conta de uma calçada mal conservada, vale um telefonema do prefeito da ex-capital brasileira, matérias em jornais, revistas e TV e de lambuja um processo, mas se for um Silva não vale nem 144 caracteres no Twitter de algum ciberativista indignado. Quando um Colker é barrado na porta de um avião por falta de atestado médico é humilhação e vale um bloco inteiro no “Encontro com Fátima Bernardes”, já um José morrer na sarjeta enquanto o atendente da central do SAMU maltrata um bom samaritano por telefone não vale nem uma matéria de um minuto. Me desculpe, mas isso não é culpa só do sistema, é culpa de pessoas que valorizam o status e não ser humano, essas pessoas viciadas em status não estão assim tão distantes de nós, você é uma dessas pessoas e eu também, ou vai me dizem que você não olha diferente para uma pessoa de terno? 

    Os problemas estruturais do Brasil mudarão assim que os problemas culturais mudarem, assim que cada um perceber que o sistema é feito por pessoas, pessoas que acreditam que o problema esta sempre no outro e não em si mesmos, você e eu. O problema É VOCÊ, SOU EU e é também O OUTRO. Sou a favor de protestos e manifestações, nós temos que gritar e cada vez mais alto, mas a culpa não é só do sistema. Da próxima vez que você for sair às ruas com a mascara de Guy Fawkes, carregue nas mãos um cartaz com sua reivindicação e vista uma camiseta escrito: a culpa é minha também. Como me disse um grande amigo certa vez: não falta amor no mundo, nem paz. O que falta no mundo é coerência.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Depois da meia noite

    Todos nós viramos evangélicos ou lutadores de MMA, pelo menos enquanto a TV estiver ligada. Quem tem dificuldades para pegar no sono e tenta encontra-lo com a televisão ligada, sabe que na madrugada televisiva é fácil encontrar um culto evangélico ou uma reprise de uma luta de MMA esperando pacientemente alguém para lhe fazer companhia.

    Numa dessas madrugadas sem sono, percebi que tenho um pensamento recorrente sempre que assisto alguns minutos de MMA – nunca vejo a luta toda porque acho muito violenta – esse pensamento sempre aparece quando a luta vai para o chão e os dois lutadores se embolam, violentamente, um no outro. Sei que a ideia que me ocorre é ridícula, mas sempre me pego dublando mentalmente o que os dois lutadores poderiam estar dizendo um no ouvido do outro. É obvio que eles não dizem nada, mas na minha mente eles dizem coisas lindas uma para o outro. 

    Durante o “Mata-Leão”, me pego imaginando o dialogo: 

    - Sabe qual minha cor preferida? – leia isso entonação sensual, por favor – a roxa, por isso vou te apertar até você ficar roxinho.

    - Isso! Me estrangula, me tira o ar, me finaliza, me finaliza.

    Como eu não conheço os nomes da maioria dos golpes, costumo inventar outros mais “fofos”, tais como: conchinha invertida, olha aqui o meu joelho, hadouken e holiugen, estes últimos têm inspiração na minha infância e nas tardes que meus primos me obrigavam a tirar o Super Mario e colocar Street Fighter.

    Só para que os lutadores de plantão não se sintam ofendidos, já vou logo avisando que também penso coisas sem muito cabimento quando assisto culto do pastor fazendeiro, imagino se decorar todos os versículos da bíblia, subir num palco e ficar suando feito tampa de marmita, enquanto faço uma interpretação totalmente errada do que esta escrito no livro sagrado, vai me fazer ficar tão rica quanto o tal pastor ou só tão ridícula quanto ele, sotaque caipira eu já tenho só me falta a cara de pau, a fazenda e o chapéu 20X.

    O que fica claro é que depois da meia noite o negocio é dormir, na falta de coisa melhor para fazer, mas caso o sono não compareça borá lá bater uma laje, fazer faxina ou talvez uma laparoscopia, mas nunca, jamais, sob hipótese alguma ligue a televisão.