terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Saci-Pererê - versão 2014.

Era uma vez, no Brasil, um menino afrodescendente muito esperto e hiperativo. Ele usava um gorro vermelho que lhe dava poderes e protegia do sol quente evitando, assim, o câncer de pele. O Saci só tinha uma perna, por isso ele era um garoto especial que girava tão rápido formando redemoinhos que o fazia se mover como o vento, ele tinha um cachimbo que tomou emprestado de um idoso distraído, mas o Saci é menor de idade e não pode fumar porque o tabaco e a nicotina fazem mal para os pulmões causando câncer, sendo assim, o conselho tutelar tirou o Saci da guarda dos pais e hoje ele vive sozinho na floresta fumando um cachimbo de brinquedo que solta bolhas de sabão biodegradáveis.

                O Saci era muito brincalhão e gostava de assustar os animais da floresta e as pessoas que por lá caminhavam. Certa vez ele deu um nó no rabo do cavalo de um senhor que parou para beber água no riacho, assustando o animal que saiu em disparada deixando o pobre homem a pé, pela brincadeira o Saci foi processado por danos morais e materiais, pois o animal era o único bem do pobre senhor que teve de andar 10 quilômetros para chegar a sua casa, mas durante o julgamento o Saci foi inocentado por ter menos de 18 anos e não saber a diferença entre o certo e o errado, depois disso as pessoas começaram a dizer que todos os cavalos que apareciam com nó no rabo era por culpa do Saci.

                Para capturar o Saci era preciso prendê-lo numa rede e tirar seu gorro, pois sem ele o Saci perderia o poder de girar como redemoinho e assim poderia ser aprisionado numa garrafa  se tornando um servo para quem conseguisse tal feito, mas formado na faculdade da vida, o Saci, era muito esperto e espirituoso, por mais que as pessoas tentassem pega-lo, ele sempre fugia zombando de quem queria vê-lo aprisionado em uma garrafa.

                Certa vez, o Saci estava passando próximo a uma escola quando escutou as crianças cantando animadamente uma musica e decidiu parar para ouvir o que as deixavam tão felizes.  As crianças cantavam algo mais ou menos assim: “Saci Pererê um pretinho danado que pula, que salta com um pé aleijado, rodeia a fogueira e faz um barulhão, levanta um pé e tira a poeira do chão.” Revoltadíssimo  como o conteúdo da canção o Saci entrou com um processo contra o Estado por racismo e preconceito e outro por uso indevido de imagem. Depois de alguns meses, e vários recursos, o STF julgou o pedido do Saci procedente e sentenciou que o Estado indenizasse-o em 1 milhão de reais, proibindo também que a canção fosse cantada novamente até que fossem feitas alterações para que seu conteúdo não ofenda mais ninguém.


                A musica foi adaptada e hoje as crianças cantam sem entender muito bem do que se trata: “Figura Folclórica um afro-brasileiro hiperativo que pula, que salta com um pé portador de necessidades especiais, rodeia a fogueira e faz um barulhão, levanta um pé e tira a poeira do chão”.  Atualmente o Saci vive confortável na casa que comprou com parte da indenização e aproveita a renda gerada pelos investimentos feitos com a outra parte.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Diálogo de um domingo.

       No fim de uma tarde de domingo, as irmãs conversavam sobre os acontecimentos da semana, característica de todo domingo de sol ou de chuva. Desta vez o assunto era um acidente automobilístico ainda recente.

              - Vocês ficaram sabendo do acidente do Jorge?

              - Eu fiquei. Ouvi dizer que ele só morreu porque o equipamento de segurança não funcionou.

              - Qual? Ele tava sem cinto?

              - Não. O outro, aquele só tem em carro de rico, o “isberg”. 

              - “Isberg”? Mas “isberg” não é coisa de avião?

              - Não! “isberg” é de carro mesmo, o de avião é outro, chama “iceberg”.

              - Ah! É mesmo, mas que tragédia né!?

              - É sim, mas e o tomate, vocês viram? O preço esta pela hora da morte.

        O airbag muito fragilizado após ser elitizado e esquecido nunca mais foi visto, já o tomate passa bem.