Era uma vez,
no Brasil, um menino afrodescendente muito esperto e hiperativo. Ele usava um
gorro vermelho que lhe dava poderes e protegia do sol quente evitando, assim, o
câncer de pele. O Saci só tinha uma perna, por isso ele era um garoto especial
que girava tão rápido formando redemoinhos que o fazia se mover como o vento,
ele tinha um cachimbo que tomou emprestado de um idoso distraído, mas o Saci é
menor de idade e não pode fumar porque o tabaco e a nicotina fazem mal para os
pulmões causando câncer, sendo assim, o conselho tutelar tirou o Saci da guarda
dos pais e hoje ele vive sozinho na floresta fumando um cachimbo de brinquedo
que solta bolhas de sabão biodegradáveis.
O
Saci era muito brincalhão e gostava de assustar os animais da floresta e as
pessoas que por lá caminhavam. Certa vez ele deu um nó no rabo do cavalo de um
senhor que parou para beber água no riacho, assustando o animal que saiu em
disparada deixando o pobre homem a pé, pela brincadeira o Saci foi processado
por danos morais e materiais, pois o animal era o único bem do pobre senhor que
teve de andar 10 quilômetros para chegar a sua casa, mas durante o julgamento o
Saci foi inocentado por ter menos de 18 anos e não saber a diferença entre o
certo e o errado, depois disso as pessoas começaram a dizer que todos os
cavalos que apareciam com nó no rabo era por culpa do Saci.
Para
capturar o Saci era preciso prendê-lo numa rede e tirar seu gorro, pois sem ele
o Saci perderia o poder de girar como redemoinho e assim poderia ser aprisionado
numa garrafa se tornando um servo para
quem conseguisse tal feito, mas formado na faculdade da vida, o Saci, era muito
esperto e espirituoso, por mais que as pessoas tentassem pega-lo, ele sempre
fugia zombando de quem queria vê-lo aprisionado em uma garrafa.
Certa
vez, o Saci estava passando próximo a uma escola quando escutou as crianças
cantando animadamente uma musica e decidiu parar para ouvir o que as deixavam
tão felizes. As crianças cantavam algo
mais ou menos assim: “Saci Pererê um pretinho danado que pula, que salta com um
pé aleijado, rodeia a fogueira e faz um barulhão, levanta um pé e tira a poeira
do chão.” Revoltadíssimo como o conteúdo
da canção o Saci entrou com um processo contra o Estado por racismo e
preconceito e outro por uso indevido de imagem. Depois de alguns meses, e vários
recursos, o STF julgou o pedido do Saci procedente e sentenciou que o Estado
indenizasse-o em 1 milhão de reais, proibindo também que a canção fosse cantada
novamente até que fossem feitas alterações para que seu conteúdo não ofenda
mais ninguém.
A
musica foi adaptada e hoje as crianças cantam sem entender muito bem do que se
trata: “Figura Folclórica um afro-brasileiro hiperativo que pula, que salta com
um pé portador de necessidades especiais, rodeia a fogueira e faz um barulhão,
levanta um pé e tira a poeira do chão”. Atualmente
o Saci vive confortável na casa que comprou com parte da indenização e
aproveita a renda gerada pelos investimentos feitos com a outra parte.
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