Quem de nós
nunca ouviu essa frase? Ela está fortemente associada à morte, seja daquele
bichinho de estimação lá na infância ou de algum ente próximo, de fato nesta
situação a vida para. Interrompemos o cotidiano por conta de uma situação
inesperada que chega e congela tudo, paramos a vida para a última homenagem a
alguém que nunca mais veremos sorrir, paramos porque o silêncio do velório pesa
e o relógio anda mais lentamente, mas depois que todos os rituais fúnebres
terminam e assentam o ultimo tijolo, depois que o cheiro de vela e de flores
murchas sai do nariz e das roupas a vida segue, de inicio lentamente, mas segue.
Depois da
derrota do Brasil essa sentença se tornou o novo grito de guerra dos
inconformados, a nova justificativa para esconder o amendoim colorido no fundo
do armário e voltar à reclamar da política nacional, voltar à reclamar de
qualquer coisa que mereça, ou não, uma ruga na testa.
Os
reacionários da banda larga, que pretendem mudar o mundo no ar condicionado
enquanto curtem a nova foto do Caio Castro no Instagram, acharam os sete
motivos perfeitos para criticar, só agora, a Copa do Mundo: “gastaram bilhões e
nem ganhamos essa porcaria de campeonato consumista feito para essa massa
alienada, que só serve pra fazer a felicidade desses pobres ignorantes” (e
podre vai em estádio?, pobre paga R$ 10,00 numa pipoca?), “não temos educação”,
“não temos saúde”, “não temos estradas”, “nossos políticos são nojentos”,
“somos um dos países mais violentos”, “temos estádios modernos e hospitais
sucateados”... Em planeta nenhum o Brasil ganhar a sexta estrela é
justificativa suficiente para os bilhões dispensados para este “espetáculo”. O
sumidouro de dinheiro publico foi criado assim que o Brasil foi escolhido para
sediar esse evento e bordar, ou não, mais uma estrela verde num tecido amarelo
não muda nada.
Dizer que a
vida segue após a derrota da Seleção Brasileira é, no mínimo, um equivoco. Vida
que segue? Mas quando foi que ela parou? A Copa do Mundo não chegou de surpresa
interrompendo o seguimento natural de nossas vidas, ela tinha hora marcada pra
começar e tem hora para acabar. Estão atribuindo um valor muito maior do que a
situação merece, um jogo implica em derrota ou vitória não em morte ou vida, se
alguém perdeu alguma coisa foram os jogadores, já que não receberam seu valioso
prêmio em dinheiro pela vitória, quanto a nós já estamos perdendo há anos com nossa mórbida passividade, este titulo nada mudaria, não vou chorar pela morte de quem ainda vive.
Em 2014 está
derrota é muito mais importante porque dá espaço para que se perceba que o
verdadeiro jogo começa em outubro e nesse campeonato sim é vida ou morte. A
Eleição Presidencial implica muito mais em conquistas e derrotas do que um jogo
de bola, muita gente vai morrer se hospitais não forem construídos, muita coisa
vai deixar de acontecer se a educação não for o foco deste país. Não adianta
dizer que não fizeram investimentos em educação e saúde porque gastaram tudo em
estádios, mentira! Não investiriam em escolas ou hospitais porque não
investiriam mesmo. Acredite é em 2015 que descobriremos se vamos passar mais
quatro anos num velório recorrente ou se é vida que segue.