terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um amor em Paris

       Noite de chuva e frio pede certos protocolos, um deles é ver um filminho aninhada no sofá, e claro eu não sou a exceção, estava assistindo uma comedia romântica daquelas água com açúcar e fui aturdida por uma frase no mínimo interessante, a protagonista era uma escritora em crise que desejava que seu ultimo livro terminasse em Paris pois "as pessoas precisam de romance", bang.

         Para ser romântico tem que ser só em Paris? Duvido. Imagine comigo a cena: semiárido nordestino, um casal se encontra, ao se verem correm um ao encontro do outro e se beijam, ao fundo quatro cabritas magras andam cambaleantes sem destino, no céu vários urubus voam rodeando a carcaça magra de uma vaca morta pela seca que jaz estendida no chão rachado pela falta constante de água, o vendo sopra balançando os galhos secos de árvores quase mortas, depois do longo beijo cinematográfico as almas gêmeas entram em um casebre de pau a pique fechando a porta feita de madeira reaproveitada de caixotes. Viu só que lindo, romance puro. É claro que uma paixão em Paris é muito mais glamourosa mas onde fica o tal conceito famosíssimo do "não quero dinheiro, eu só quero amar"? Não fica, ele some, assim que uma das partes percebe que amar em Paris é mais fácil. "Vidas Secas" não ficou conhecido por ser uma historia de amor, apesar dele estar lá, mas o que marcou foi a historia de sofrimento de uma família mais comum do que imaginamos. Nós não queremos só amar, queremos toda a compilação de situações confortáveis e de preferência na Europa. É ai que a coisa toma outra proporção e a maioria se frustra.

      Esperar que todo parceiro seja capaz de te levar para ver o nascer do sol de uma planador, ir até a fronteira de dois estados só para que você possa estar em dois lugares ao mesmo tempo ou ainda escrever cartas antes de morrer e pedir para que alguém entregue-as a você em lugares marcantes para os dois é esperar que o mundo seja um grande roteiro nonsense. Nos filmes ninguém passa horas fazendo o orçamento, nenhum dialogo é interrompido por uma dor de barriga, ninguém pisa no rabo do cachorro, as crianças dormem a noite toda e todos têm carro e tempo de sobra. Errado estão os filmes? Não, filme é uma obra de ficção, não precisa ser real, o que retrata a realidade leva o nome de documentário.

          Às vezes os homens perguntam o que as mulheres pensam e a resposta é: elas pensam que você é um roteirista de sucesso e vai fazer da vida delas um grade Oscar de roteiro original, com direito a explosões e vocês dois saindo da labareda intactos, simples né!? Não que seja proibido sonhar, mas frustrasse é que não é recomendado. Vejo mais romance em um casal de idosos que ainda andam de mãos dadas depois de trinta anos de casados do que em um casal de adolescentes que fazem uma tatuagem igual, ainda que fazer uma tatuagem seja muito mais doloroso do que andar de mãos dadas. O romance esta nos detalhes pelo caminho não no fim da estrada.

          Se Paris fosse a guardiã exclusiva do romance e da felicidade a França seria o país mais feliz e populoso do mundo, já nós pobres habitantes do resto do planeta não teríamos um pingo de amor e também não teríamos a Torre Eiffel para podermos pular dela. A única coisa que Paris faz com exclusividade é parisienses de resto em todo canto existe um romance seja na Europa ou no semiárido.

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