quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Em tempos de guerra


As redes sociais tomam boa atenção de todos nós atualmente, todos perdemos boas horas publicando fotos, marcando amigos e lugares visitados, passar despercebido é quase impossível, sempre aparece aquela pergunta: onde esta foto foi tirada? ou embaixo do post aparece a localização de onde você estava quando publicou aquilo. Sem contar as inúmeras postagens desnecessárias do tipo: #partiuacademia, #almoço e aquelas fotos da refeição já iniciada. Atualmente as pessoas tem a necessidade de dizer onde vão e o que farão ou é medo de serem sequestradas e ninguém perceber ou é a mais pura vontade de realmente serem sequestradas.
Ninguém aguenta mais estar apenas consigo mesmo, querem companhia mesmo que seja um frio “curtir”. Aparentar ser uma pessoa “viajada” também entra na lista dos desejos do século 21 juntamente com ser “curtida” e “comentada”, a guerra hoje é para manter a privacidade. Como seria se a internet e as redes sociais tivessem surgido na década de 30?

No front

Uma tal “Internet” e uma recém criada “Rede Social” surgem e viram a nova coqueluche da época, pode-se atribuir o sentido original ao termo: doença, que alias explica até melhor. Mas o ano de 1939 promete não ser marcado apenas por isso ou pelos também recém criados “Celulares” que tornaram os telefones mais portáteis e funcionais, na vida não virtual as coisas estão bem violentas e uma guerra nasce, a segunda guerra mundial.
Soldados de vários países são enviados para a batalha e neste período a tal rede social começa a bombar também. Com seus celulares os soldados conseguem encontrar conforto nas palavras da família e dão apoio aos homens que se encontram em situação semelhante à deles. O quem vem lá amigo ou inimigo é substituído por “confirmar” e “agora não”.
Os dias iam passando e cada vez mais pessoas se conectavam a tal rede social, na época diziam que até o Führer tinha uma pagina, com o nome falso, para não levantar suspeitas, de Adolfinho da Alemanha e nos favoritos era possível encontrar Albert Einstein e o Antigo Testamento, tudo pensado para que o Führer passasse o mais despercebido possível e ainda assim pudesse desfrutar das facilidades da tal rede.
Entre os soldados a mania da “#” havia pegado, a cada acontecimento que eles achavam importante uma nova expressão surgia. Foi convocado: #partiuacademia, saiu para o campo de batalha: #PartiuTiroAoAlvo e assim seguiam. Depois surgiram as fotos, soldados nos aviões fazendo cara de mau e a legenda: estilo Kamikaze, fotos de paisagem com a legenda: ta me vendo? Rá to camuflado, durante as refeições varias fotos de latas de feijão surgiam na rede social.
O que era para levar meses acabou se estendendo por anos tamanha falta de sigilo que a rede proporcionava, os inimigos faziam perfis falsos para conseguir informações, um caos sem precedentes se instaurou, as fotos com marcação de GPS revelavam a posição dos acampamentos, nada mais era secreto.
Os setores de inteligência de praticamente todas as tropas tentavam bloquear a rede, mas sempre alguém conseguia furar o bloqueio e logo todos já estavam conectados outra vez, se os esforços para a luta diária fossem os mesmos usados para conseguir entrar na rede a guerra teria durado meses, diziam os pessimistas de plantão.
Em uma coisa pessimistas e entusiastas da nova rede concordavam: ela foi a culpada pelo maior fiasco da historia mundial. Na madrugada do dia 6 de junho um soldado publicou em seu perfil a frase: #PartiuMissãoSecreta, em baixo era possível ver uma notinha publicada automaticamente pela rede: há 7 minutos próximo a Normandia. Foi a deixa para que a operação secreta, uma das mais importantes, pensada e mantida em segredo por meses, ruísse. Um acontecimento histórico e vergonhoso, que fez a guerra se estender por mais cinco longos anos, que só chegaram ao fim quando os celulares foram confiscados e alguns de seus componentes usados na fabricação de munição. Cinco anos que custaram milhões de vidas, anos de desenvolvimento mas renderam muitas piadas.

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