quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Calipso


Se algum dia ela foi traída pela lua eu não sei, mas que ela se nega a cair no ostracismo isso eu desconfio que sim. Na mitologia Calipso - ou Calypso as duas grafias são aceitas – era uma ninfa do mar que vivia em uma gruta numa ilha no meio do oceano onde hoje é o Marrocos, vida solitária a da pobre moça não!? Que nada, como diz a musica “na companhia de um bom livro e um violão, vou vivendo com a minha solidão” acho que já naquela época ela seguia essa filosofia.
Imagino ela – a ninfa, não o ritmo – na sua ilha vestida com um microvestido purpurinado em cima de salto-altíssimo tão purpurinado quanto, jogando o cabelo alucinadamente para frente e para trás no ritmo das ondas, tentando seduzir os heroicos marinheiros da época e concluo que era por essa razão que a ilha era deserta e talvez por isso  as sereias de outras ilhas ficavam, apenas, sentadas penteando os cabelos. Eles não estavam preparados para tamanho poder de sedução.
Mas hoje quase tudo é liberado e Calipso – o ritmo, não a ninfa – versa sobre os mais variados temas, desde cavalos com deficiência (em tempos de politicamente correto, atente para o grifo, dizer manco pode ser considerado Bullying), passando por luas dadas à traição e anjos bandidos, Calipso – a ninfa, não o ritmo – esta à salvo da solidão, saiu de Marrocos e, a nado, foi parar no Pará  de lá conquistando o país.
Calipso – a ninfa e o ritmo – hoje vive em comunhão, ele embala e ela abala. Era questão de tempo até um encontrar o outro e assim foi. Ele entrou para a história, ela nunca mais ficou sozinha e nós, pobres mortais, “agraciados” pelos deuses mitológicos, temos essa joia musical dotada de som e ginga sem igual. Para que lado fica essa tal ilha mesmo? 

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