quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Acesso aos arquivos da memória “Revelando os Brasis”


Dia desses eu estava sentada, trabalhando na frente do meu computador, quando meu celular tocou. Olhei. Era do IMA. Atendi. Do outro lado alguém me pediu para escrever um texto sobre minha relação com o projeto Revelando os Brasis. Pronto surgiu a crise criativa, o que escrever? Como escrever? Escrever? Eu sei escrever? Ahhhh!!!! Calma, respira, respira, respira.
   
Visitei meus arquivos guardados carinhosamente na memória e descobri que, entre uma pasta e outra, tinha muita coisa quando a palavra chave era: Revelando os Brasis. Algumas dessas “coisas” deveriam ficar guardadas exclusivamente na minha memória para manter minha imagem de menina esperta de Palestina. Ninguém pode ficar sabendo do meu primeiro dia no Rio de Janeiro quando quase não consegui tomar banho porque eu não sabia ligar o chuveiro, nossa! Era só empurrar e girar não tinha segredo ou palavra mágica. Tão simples quanto puxar a cordinha ao lado da janela para abrir a veneziana, mas eu achei bem mais fácil ficar agachada vendo a paisagem pela fresta, até que uma boa alma me disse onde ficava escondida a tal cordinha, que diga-se estava bem escondida mesmo, atrás da cortina. Minha colega de quarto também participou desses momentos mas prefiro manter seu nome em sigilo, ela também tem um nome a zelar. Mas que isso fique entre nós, ok!?

Resolvi procurar um pouco mais, não que seja difícil lembrar tudo o que aconteceu naqueles dias. Aliás, é mais fácil do que lembrar a data do meu próprio aniversário, mas eu procurava por algo grande, tão grande quanto o êxtase que senti quando me dei conta que estava num avião rumo ao lugar que ajudaria a realizar um sonho de infância: mostrar a todos coisas que poucos vêem, revelar. E quem diria que um dia, um pequeno ser nascido e criado no interior paulista, com a fala carregada de R’s, um jeitinho caipira de falar pouco e ouvir e olhar de mais, conseguiria trocar a terra vermelha da sola do sapato por um pouco da poeira dos andares do prédio do canal Futura, dos estúdios da Globo Sat e de todos os outros lugares por onde aprendeu tanto em duas semanas que valeram por uma vida inteira? Pois é, alguém disse e disse com tanta convicção que acabou virando realidade. Nossa! E que realidade, chega a tirar o fôlego só de lembrar.

Mas vamos lá, respirar um pouco, ver se o pulmão volta ao seu estado normal, coisa que acho difícil de acontecer já que depois de uma experiência dessas nada mais volta ao normal. É serio, acredite! Sua vida muda, parece que você viciou-se em realizar, em criar. Talvez isso seja, na realidade, crise de abstinência. Essa crise de abstinência em especial surge quando você percebe que quer sentir tudo aquilo de novo, todas aquela sensações que tomaram conta do seu corpo assim que você desligou o telefone que te deu a melhor noticia da sua vida:
- Alo! Oi tudo bem? Seu projeto foi selecionado para participar do Revelando os Brasis.

Nossa! O turbilhão entra em você pelos ouvidos, olhos, sola do pé, palma da mão, por todos os poros e quando você se dá conta, já era! Se espalhou. Tá viciado. Você não vai mais conseguir viver sem realizar, sem criar. Realizar sonhos antigos, criar novos pontos de vista, novos projetos, novas vidas. Tem quem sinta tudo isso apenas comendo um pedaçinho de chocolate, mas em tempos de ditadura da beleza eu prefiro sentir de uma maneira mais duradoura, quase eterna se possível, sentir vivendo, participando de projetos como esse.

Não posso e nem quero deixar de fora dessa busca por arquivos ainda vivos uma das pastas mais importantes que guardei na memória. Ela estava um pouquinho mais à direita do hipocampo, etiquetada assim: “do interior para o interior”. Até pensei que fosse um livro da Zibia Gasparetto, mas ai lembrei que nunca li um livro dela. Então o que seria? Mexendo na papelada que estava até apertada dentro da pastinha descobri que era a pasta dos Revelandos, a pasta dos outros 39 participantes do projeto, dos outros 39 seres do interior. Quanta história tinha ali! Pessoas maravilhosas que também saíram do interior para terem suas vidas revolucionadas para sempre e agora ainda vivem no interior, mas dessa vez no meu. Fazendo parte da minha vida e das minhas lembranças. Mudaram direta e indiretamente meu jeito de pensar e agir, hoje é quase impossível passar um dia sem que me lembre de algum deles. Isso dá uma saudade incontrolável.

Aproveito para agradecer ao MSN, já que ele tem sido a ferramenta que me ajuda a não morrer de saudade aguda. Não posso deixar de citar um dos Revelandos mais importantes, praticamente o 41º elemento, mas ele todos vocês podem conhecer, hoje ainda, agora se for o caso, ele ainda esta lá no hotel esperando a chegada do Ano IV. Se você tiver a oportunidade de conhecê-lo eu recomendo que o faça. Ele é o cara que lava e passa, eu vos apresento o Hall, figuraça.

Brincadeiras à parte, agora percebo que minha busca por arquivos com a palavra chave “Revelando os Brasis” é infinita. Cada vez que eu procuro sempre acho algo diferente pra contar. Como quando o circuito chegou em Palestina e trouxe com ele uns fatos de forno e fogão, mas essa historia fica para próxima, vou tentar guardar algo de inédito pra contar para meus filhos e netos, caso os tenha, mas se não tiver conto no asilo mesmo, sem problemas. Na verdade, não vou consegui guardar essa historia por muito tempo, até por que já contei para muita gente, mas para vocês fica para próxima.

           O meu voo pelo túnel do tempo já está grandinho e se eu contar tudo já não serei mais a Patrícia e sim a Sherazade, a única diferença é que as historias que sempre mudam a minha vida não começam com “Era uma vez”, e sim com  “Um dia o meu telefone tocou”.





(Escrevi este texto em 6 de julho de 2009, após participar da experiência mais importante na vida:  o concurso cultural Revelando os Brasis Ano III. Link da publicação no site oficial: http://imazul.org/circuitorevelando/2009/07/06/acesso-aos-arquivos-da-memoria-%E2%80%9Crevelando-os-brasis%E2%80%9D/)



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