Dezembro
é o mês das férias, do décimo terceiro, do amigo secreto, do panetone, do gorro
vermelho, do pinheiro, das lâmpadas coloridas, dos suspiros amorosos, de dar
passagem no transito, do Natal sem Fome, além de tantas outras coisas é também
o mês do espírito natalino. Tudo o que foi citado à cima pode ser encontrado em
outras épocas do ano – por mais que não seja das tarefas mais simples - exceto
uma coisa: o espírito natalino.
Pensa
em um espírito esperto, pensou espírito natalino. Ele aparece uma vez por ano
mas sua fama se estende pelo resto do ano seguinte. Quando ele chega os
corações amolecem, dar um bom dia na rua fica chique, ser gentil se torna quase
natural, a vida parece comercial de margarina. Coisa fina, não fosse um
detalhe: a sobra. Isso mesmo a sobra, o que sobra quando o espírito natalino
vai embora?
Amor? Compaixão? Empatia? Não, sobra o primo
pobre do espírito natalino: o espírito de porco. O espírito natalino só nos
visita para cobrir as férias do espírito de porco, que claro é em dezembro. É o
espírito de porco que trabalha o ano todo, ele tem um poder de cobertura muito
maior que todas as operadoras de celulares juntas, ele é silencioso, quase
assintomático, trabalha praticamente sem ser notado porque já trabalhou tanto
que, infelizmente, se tornou natural em nossas vidas. Depois das festividades
os suspiros de amor são trocados por bufadas na fila do banco enquanto a idosa
passa à frente na fila. O termo “dar passagem” perde o significado. “Bom dia”
então, vira artigo de luxo, só para os conhecidos e olhe lá. Fome volta a não
significar nada para quem tem o que comer. Mendigo passa de pobre coitado para
vagabundo.
O que é triste
nesta historia não é o fato de o espírito natalino ser um trabalhador
temporário, o triste é nós andarmos de mãos dadas com o espírito de porco e nem
notarmos. Pode ser carência talvez, em tempos de correria como hoje é muito
solitário ser solidário, dizer “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite” é correr o
risco de ficar no vácuo. Deixar alguém que só tem uma bisnaga de maionese mão
passar à frente na fila do mercado é se aventurar à ouvir cochichos nada
gentis. Nos esquecemos como é contagiante ser tratado com respeito e educação e
quando acontece chega a ser constrangedor.
O espírito
natalino chega para mostrar que é preciso acreditar no invisível, na bondade,
na educação. O espírito de porco mostra que é bem mais cômodo acreditar no
invisível e arrastar o visível para debaixo do tapete com estampa natalina - é claro.
Adorei qdo vc fala das bufadas qdo a idosa passa na frente da fila. Uma vez estava na loja Marisa e uma mocinha me questionou do pq passei na frente dela, daí respondi q estava gravida (final de gravidez) a Moça do caixa explicou q ali era caixa preferencial. Na verdade tive vontade de dar na cara dela, um dia ela vai deixar de ser mocinha, vai ficar grávida e vai ver q "delicia" é ficar em pé horas e horas com o peso da barriga. Acabei de relatar um espirito de porco. kkkkkk Adorei sua ideia de colocar oq pensa num blog..parabéns!
ResponderExcluirSem encontramos um espirito de porco pelo caminho, não tem jeito ele adora aparecer. rsrsrsrsrs
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