Toda mulher
vez ou outra na semana, quiçá no dia, para em frente ao espelho murcha a
barriga, empina a bunda, vira de ladinho e fica se analisando esperando que o
espelho da Branca de Neve apareça e diga o quando ela está linda. Eu também
faço isso - quase todo dia diga-se - penso que ficamos com a esperança de que a
cada olhada uma coisa diferente e melhorada possa aparecer. A barriga um pouco
menor, os seios um pouco maiores, a pintinha a Marilyn Monroe, sei lá, alguma
coisa tem que estar diferente, afinal resistimos a tentação de comer daquela
trufa linda que passou o dia todo nos seduzindo, esse esforço tem que ser
recompensado e express de preferência.
Quando olhamos
para o espelho a visão do corpo por inteiro realmente faz parecer que aquele
pneuzinho esta menor, mas é só desviar o olhar para a barriguinha sem o auxilio
do espelho e percebemos que o “dito cujo” não diminuiu nada. Isso me faz pensar
que o espelho da Branca de Neve existe, mas ele é mudo e alcoólatra. Deve ser
um reflexo da modernidade talvez, naquela época só os nobres tinham espelho era
mais fácil agradar e ele até podia se dar ao luxo de ser sincero, mas hoje até
óculos é espelhado, isso sobrecarrega o podre coitado e ele agora mente,
descaradamente. Isso explica o porquê de quando penteamos o cabelo na frente do
espelho o penteado fica lindo, mas é só virarmos as costas e parece que
acabamos de sair do naufrágio do Titanic.
O espelho é
ardiloso ele quer que acreditemos nele para que quando estivermos na caça, supostamente
lindas e poderosas, à procura do nosso príncipe encantado só encontremos os
sapos. Por isso sempre vemos as barangas acompanhadas pelos homens mais
bonitos, porque elas têm maquiador particular e não precisão se olhar no
espelho para a produção ficar boa.
Por isso eu proponho a dieta do cego, ela é
bem simples: vamos relaxar e esquecer o espelho, o negocio agora é apalpar.
Apalpou o pneuzinho e ele parece grandinho corre para academia, apalpou o
pneuzinho e ele parece menor corre para confeitaria só para comemorar. E assim
vamos felizes e descabeladas porém seguras de nós mesmas, sem ficarmos presas à
velhos conceitos que tentam tatuar na nossa consciência o que é belo ou não. O
velho ditado que diz que tudo que é bom engorda pode até estar certo, mas
também tem coisa boa que emagrece além do que a Branca de Neve quase morreu
comendo maçã.
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