sexta-feira, 5 de abril de 2013

Hashtag


#Fotonabalada, #emfamília, #comosamigos, #segurandocrianças. #Todasaslegendas #defotos #propositalmente #posadaspara o #Facebook, #Twitter ou #Instagram  #vemcom uma #hashtag, #muitasvezes uma #hashtagdemetro, #quaseininteligível que #levamosmais #tempotentando #traduzi-la #doque #visualizandoafotografia.

            Atualmente até o “bom dia” esta ficando piegas e demasiadamente longo. É um tal de  #migas, #morzinho, #BFF, #prontofalei, #amomiguxas, #amoreterno, #forevererverever, #semvcsnaosouniguem, #aiquebaladaboa, #tenhosentimentos, #seiusarosfiltrosdoinstagram, #malusinha, #piriguetetete, #boatedamoda, #usoroupademarca, #bebovodkacara, #vivodemesada, #reproveiemportugues, #maspasseiemeducacaofisica, #queroserfamosananet, #escrevoerradosemperceber, #masfinjoqfoidepropositopqnanetpode, e finalmente vem o “bom dia” seguido de uma foto de paisagem com o filtro sépia.

            Depois que fotografia perdeu o caráter de ser um objeto para eternizar bons momentos e virou forma de mostrar status as pessoas ficaram mais vazias, consequentemente as atitudes também se esvaziaram. Não é porque você esta comendo num restaurante da moda que precisa fotografar o prato e postar na internet, vai por mim, tem revistas de culinária que fazem isso e o fazem muito bem, melhor que seu celular de ultima geração cheios de filtros bacaninhas. Não é porque você sabe usar todos os filtros do Instagram que sua fotografia virou objeto de arte - #ficaadica - ela apenas ficou igual a todas as outras fotos que milhares de pessoas tiram usando o mesmo aplicativo ou outro semelhante.

            Todos nós sabemos que tirar um mês de férias é o orgasmos para quem trabalha outros onze meses consecutivos, portanto, ninguém precisa interromper suas tão esperadas férias para postar no Facebook o quanto ela esta sendo deliciosa, se esta tão boa assim aproveite-a, seus amigos não ficaram magoados se você contar tudo o que aconteceu quando voltar para casa e não enquanto estiver acontecendo.

            Ser “curtido”, na minha adolescência, era receber um convite pessoalmente e feito a mão pelo dono da festa, ter um caderno de “enquete” cheio de assinaturas ou ter uma foto revelada e colada na parede do quarto de algum amigo – veja só a palavra “quarto”, um lugar onde só algumas pessoas veriam a fotografia. Isso era feito porque as pessoas sentiam vontade de ter você por perto e não porque queriam mostrar ao mundo como são descoladas.

            É claro que a internet tem seu mérito, isso é inquestionável, ela aproxima as pessoas que pelo fluir natural da vida acabaram se distanciando e em outros tempos talvez não se encontrassem mais, sem contar o acesso à informação e todas as outras grandes mudanças que ela nos proporcionou, nada é só bom ou só ruim. Nós só não podemos esquecer o quanto é bom receber algo escrito a mão, seja um bilhete ou uma carta, fazer um elogio cara a cara é ainda mais saboroso do que curtir um post qualquer. Não existe hashtag alguma que substitua a sensação de olhar diretamente nos olhos de alguém.
               #prontofaleificaadicarecalcadaavidaémelhorforadocomputadoreescreverassimnãotefazmaisdescoladasómaisumachataduvidoquealguémconsigaentendertudooquetaescritoaquisemperderofolegoouapacienciaviusócomoissoéchato.            

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