terça-feira, 11 de junho de 2013

Interiorrrrr III, a revanche.

     Rá! Para quem acreditou que ela não aconteceria, pois sim, ela aconteceu. Estava eu quietinha no meu canto, quando uma amiga me chamou para ir até o sítio de uma outra amiga que ficava numa cidade vizinha, mais que prontamente eu topei. Peguei o carro, passei na casa dessa minha amiga e fomos para a estrada.

     Como criatura muito “inteligente” que sou, na volta, decidi pegar um atalho por uma estradinha de terra que passa por vários canaviais e uma vila. Como sou uma eximia conhecedora das estradas brasileiras – ri tão alto agora que até eu assustei – pensei que essa brilhante ideia de pegar um atalho não teria mal algum, taí o engano, adivinha o que aconteceu... pois é, me perdi, pra variar.

     Me perdi no canavial? Não, de forma alguma, sou capaz de proeza maior que essa, me perdi na vila. A bendita vila tem umas seis ruas, quatro que circundam a capela e duas que servem uma de entrada e outra de saída, e ainda assim eu consegui não encontrar a saída. Depois de rodar varias vezes pelos mesmos lugares resolvi parar e pedir informação para um senhor que estava sentado na calçada.

     Ele veio todo prestativo – e murchando a barriguinha descamisada – se apoiou na janela do passageiro, enfiou o braço dentro do carro o que obrigou minha amiga a afastar o encosto do banco, olhou bem fundo nos meus olhos, com cara de entendido e apontando disse:

      - “Oia fia”, ta vendo aquela esquina ali, não essa primeira aqui, a outra lá, então, ali do lado direito, opa, esquerdo tem um boteco.

      - Opa, to vendo sim, senhor. 

      - Então “fia”, do lado esquerdo tem um boteco que sempre tem gente, “cê” para lá e pergunta de novo “mode que” eu “num” sei onde fica Palestina não. 

     Se eu disser que comecei a rir será mentira, eu gargalhava, mas gargalhava tanto que desci no bar – lógico que eu fui no bar, eu tinha que sair daquele lugar e chegar em casa, uai – chorando, demorei um tempo pra conseguir falar o que eu queria, mas finalmente consegui a informação que eu precisava e achei o caminho certo. 

     Dessa experiência fica o aprendizado: não é só gente da “capitarrr” que comete bullying contra caipira, caipira também “bulina” caipira. Aoooo mundão véio sem porrrrtera.

Nenhum comentário:

Postar um comentário